Pingente: Deusa Bastet

R$ 222,00


A imagem da nobre Deusa Gata era usada, na ancestralidade Egípcia, tanto para fins de Proteção, como para trazer Harmonia aos lares e pessoas que a carregavam.

A Alma dual felina em sua Sagrada dualidade: ferocidade e docilidade. 


 

1 em estoque (pode ser encomendado)

  • Dados Técnicos:

-Tamanho da peça: 2,3cm de altura por 01cm de largura.

-Peso: 2,8 gramas.

-Material: Prata 950 -liga nobre: dentro dos parâmetros da “Prata de Lei”.

– Idealização, elaboração e confecção autorais exclusivas do Ateliê Freya Joias. Produção inteiramente artesanal e mágica.


  • Bastet, Gata e Leoa
A principal localização do culto de Bastet é Bubástis, uma cidade importante no sudeste do Delta do Nilo. Mas as primeiras atestações de Bastet vêm das galerias sob a famosa pirâmide de degraus de Djoser, em Sacará, perto de Mênfis. Milhares de fragmentos de vasos de pedra de sepultamentos da 2ª dinastia (por volta de 2800 a.C.) foram descobertos lá. Alguns possuem inscrições curtas mencionando divindades, incluindo uma Bastet representada como uma figura feminina com cabeça de leoa, além de sacerdotes e um possível local de culto de Bastet em Mênfis. É possível que Bastet fosse originalmente uma divindade da residência real e, a julgar pela etimologia de seu nome, uma derivação do nome do frasco de unguento de proteção – talvez uma deusa ligada aos símbolos reais. Unindo o conceito de uma divindade com um unguento protetor, a natureza protetora e poderosa de uma leoa divina teria se encaixado na ideologia real.
A prova mais antiga da Bastet em Bubástis só aparece mais tarde, no reinado do Pepi I, da 6ª dinastia, lá por 2270 a.C. A sabemos disso por causa da viga decorada da porta do templo Ka do rei, onde ela aparece junto com a Deusa Hathor. Mais uma vez, a Bastet é mostrada como uma mulher com cabeça de leoa. Umas estelas de túmulos do cemitério dos ricaços de Bubástis, da mesma época, ainda têm os títulos das pessoas que cuidavam do templo da Bastet. Então, é possível dizer que, no final do Reino Antigo, já existia um templo e um culto à Ela ali.
Ninguém sabe direito como o culto da Bastet foi parar de Mênfis pra Bubástis. Uma ideia é que, no começo do 3º milênio, havia vários bandos de leões vivendo nas partes meio desérticas do Delta. O Uádi Tumilat, com um lago que aparecia em certas épocas do ano, era um esconderijo perfeito pra eles. Naquele tempo o Delta apresentava gado aos montes! Tanto que era super importante para o Estado que começava a se organizar com  fazendas do rei. Só que isso também virou um grande banquete pra os leões. Provavelmente, os egípcios viam direto ataques dos leões, e principalmente das leoas, que são caçadoras das mais habilidosas e trabalham muito bem em grupo. Faz sentido pensar que, vendo isso tudo, eles acabaram adorando esses animais que eram ao mesmo tempo assustadores e incríveis.
Desde os registros mais antigos até o final do Império Novo, Bastet aparece sempre como uma leoa. Aquela imagem famosa dela como gata só veio bem depois, e isso mostra como a religião dos egípcios foi mudando devagarinho ao longo de séculos. Na verdade, esse lado duplo da Bastet — leoa e gata — aparece direto quando a misturam com a Sekhmet: deusa-leoa famosíssima. E esse “dois em um” da Bastet já era falado em textos bem antigos. O tal “Ensinamento Lealista”, da 12ª dinastia, descreve o rei ideal assim: “Ele é Bastet, que protege as duas terras. Quem o tem em adoração será protegido por seu braço. Ele é Sekhmet contra quem desobedece a Ordem. Quem ele odeia arcará com severas consequencias!”.
Esse jeito meio ambíguo das deusas felinas, principalmente da Bastet, ficou ainda mais forte depois. A gata acabou virando símbolo do lado mais de boa, mais acessível e simpático da deusa. Repaginar a Bastet como uma versão mais tranquila da leoa foi o que levou ela a ser retratada como gata, que obviamente não passava o mesmo medo que uma leoa de verdade. E olha que curioso: é no Império Médio que vemos pela primeira vez gatos aparecendo como bichinhos de estimação em pinturas de tumbas, mesmo ainda sendo bem parecidos com o gato selvagem felis silvestris.
Do Império Novo pra frente, o culto à Bastet só cresceu, especialmente no 1º milênio a.C., quando cresceu fortemente fora do Egito e se espalhou pelo Mediterrâneo. Os templos dela em Sacará e Alexandria são a prova de como esse culto ficou cada vez mais cosmopolita.
Bastet Triunfante – O Festival da Bastet em Bubástis
Lá por 450 a.C., o historiador grego Heródoto descreveu o templo e o culto da Bastet falando do grande festival que acontecia em homenagem à deusa: “Agora, quando eles vão pra cidade de Bubástis fazem o seguinte: navegam homens e mulheres juntos, muita gente de todos os sexos nos barco; algumas mulheres têm chocalhos e ficam sacudindo, enquanto uns homens tocam flauta a viagem inteira, e o resto, homens e mulheres, cantam e batem palmas; e quando passam por qualquer cidade no caminho, encostam o barco, e algumas mulheres continuam fazendo isso tudo, outras gritam e brincam com as mulheres daquela cidade, umas dançam, outras levantam e erguem as roupas. Fazem isso em toda cidade na beira do rio; e quando chegam em Bubástis acontece um festival com sacrifícios, e se bebe mais vinho nesse festival do que no resto do ano todo. Nesse lugar (é o que dizem os nativos) se juntam todo ano até 700 mil homens e mulheres, sem contar as crianças.” (Hd. II, 60).
Nos debates acadêmicos, esse clima meio “orgástico” desses eventos geralmente é ligado à fertilidade dos gatos e ao jeito escandaloso deles na época do cio. A ideia é que quem participava da festividade desejava e buscava essa fertilidade para a própria vida. Outros registros falam da bebedeira e de atitudes bastante excêntricas, que quebravam de propósito as regras sociais da época. Esse tipo de comportamento extremo nessas festanças fervorosas era visto como algo que agradava as deusas egípcias, principalmente as que apareciam como leoa — Bastet e Sekhmet, mas também Mut e Hátor.
As deusas-leoas eram meio perigosas e imprevisíveis, mas ao mesmo tempo eram cuidadosas, protetoras e ferozes. Elas tinham ligação com o deus do sol, Rá, e muitas vezes eram chamadas de “Filha de Rá” ou “Olho de Rá”. O tal “Mito do Olho de Rá”, está guardado em três papiros demóticos do século 2 a.C., dá uma visão mais profunda disso: a história conta que a filha de Rá vivia como uma leoa poderosa bem ao sul do Egito, no calor escaldante do deserto. Por algum motivo que ninguém sabe, ela estava furiosa com o pai e saía espalhando medo pelo deserto só com sua presença. Aí o deus Sol manda o deus Thoth  traze-la de volta pro Egito — missão complicada, porque ele tinha que acalmar a leoa brava e ainda mantê-la feliz na viagem longa de volta pra casa. Pra conseguir isso, Thoth aparece em forma de babuíno e usa música, dança e bebida pra agradar a leoa. Se a gente liga essa história com o festival de Bubástis, dá pra concluir que as festas com dança, música e bebida eram pra homenagear a deusa, que curtia exatamente essas coisas.
O festival de Bubástis tinha outra atividade bem típica da região: o Papiro Brooklyn 47.218, um manuscrito do século 7 a.C. com mitos e lendas locais das cidades famosas do Delta, traz um conto sobre Bubástis. Nessa história, Bastet salvou o olho de Hórus das mãos de Seth em Bubástis! Remou nos canais sagrados (Isheru) ao redor de seu templo na hora da vitória contra o inimigo: “E ela navega dentro do Antílope-Órix no Isheru e resgata o Olho Udjat assim que Seth apareceu, roubando o Olho Udjat em Menhat. Ele chegou a Bubástis carregando as coisas que tinha engolido, mas Bastet já havia resgatado o Olho Udjat de seu pai”.
Procissões no rio com estátuas de culto nos seus santuários-barca eram bastantes comuns nos festivais religiosos do Egito antigo. É fácil imaginar que o momento de navegação da barca de Bastet no Isheru do templo dela em Bubástis era o auge religioso do festival. Com certeza a aparição da deusa triunfante devia ser o ponto alto da celebração — uma festa que arrastava milhares de peregrinos que viajavam pra cidade dela todo ano.

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